Ovar

Ovar...

Ovar terra-mãe dos pescadores de arte xávega, comunidade organizada que praticava a pesca oceânica, referenciada desde 1354.

A praia do Furadouro, lugar antiquíssimo, inserido na linha da costa baixa e arenosa da frente atlântica, a sul 30 km da foz do rio Douro e próximo da parte norte da ria de Aveiro. Em 1751, surgiu um novo quadro da actividade económica ligada à pesca da sardinha. A introdução da arte xávega neste ano, associado ao desenvolvimento da técnica da salga, permitem as condições ideais para fixação de alojamento e respectivo povoamento. Com o surgimento da primeira guerra na Europa, o incremento da indústria de conservas, servia a nutrição dos exércitos militares, com as potências bélicas obrigadas a investir na conserva da sardinha.

Com o crescimento da indústria de conserva criam-se as infra-estruturas de circulação e transporte para colocar o produto nas regiões periféricas, sendo o caminho entre o Furadouro e a estação de caminhos de de ferro, (1863) um beneficio para as estâncias balneares, no entanto, um árduo caminho para o transporte do pescado, dando lugar mais tarde à estrada do Mar, ligando a vila ao mar.

Ver Ovar..

Gente de vida difícil sujeita a extrema pobreza, retratada no filme Mudar de Vida, realizado por Paulo Rocha, provocando a emigração sistemática dos vareiros para outras áreas da costa, de Espinho à Vagueira e mais tarde espalhadas por toda a costa portuguesa. Comunidade devota ao cristianismo, testemunho de fé, na protecção da vida de mareantes e pescadores.

No entanto é em terra que se dão as maiores calamidades, com a destruição das casas pobres de madeira, no verão de 1881 deflagra um incêndio que destruiu mais de trezentas casas. Aos desastres em terra, junta-se a fúria do mar, que ano, a ano, consequência da forte erosão, vai roubando grandes massas de areal, o mar que a pouco e pouco vai conquistando a terra. A luta do homem com o mar e sobretudo a luta entre a tradição e o progresso. A par com o progresso incrementado com a indústria, os operários do mar, força essencial para o negócio da pesca, sofriam com maior impacto as tragédias e os dramas, resultantes das calamidades em terra e mar, o pescador tornou-se um indivíduo expectante.

A indústria de conservas foi sem dúvida, um dos principais factores, que impulsionou o desenvolvimento industrial e progresso de Ovar.

Texto: Rodrigo Salgado Referências Bibliográficas: Laranjeira, Lamy. O Furadouro, O Povoado, o Homem e o Mar: Edição da C.M.O., 1984. Tavares, Domingos. Casas na Duna: 1ª Edição, 2018

União das Freguesias de Ovar, São João, Arada e São Vicente de Pereira Jusã

A última e maior freguesia, do concelho de Ovar, que mostramos.

É a mais recente, uma vez que foi constituída apenas em 2013, no âmbito de uma reforma administrativa nacional, pela agregação das antigas freguesias de Ovar, São João de Ovar, Arada e São Vicente de Pereira Jusã e tem a sede em São João.

Tem quase 30 000 habitantes e um território com quase 90Km2 Acolhe o edifício da Câmara Municipal e é centro de muitas das iniciativas que marcam o concelho, de onde podemos destacar o Carnaval.

Começa a criar tradição em algumas iniciativas culturais na área da música em sala ou de rua, teatro em sala ou de rua que têm dinamizado a freguesia! O melhor a fazer para conhecer este já extenso território?

Visite-o!

Maceda...

Maceda é a 4 freguesia, que apresentamos, do concelho de Ovar.

A origem do nome Maceda assenta no adjetivo latino "matiana", de Mácio, amigo de César. À época da ocupação romana, esta era terra de inúmeras macieiras bravas, de onde poderá ter resultado o termo “matianeta" que evoluiu, depois, para a sua designação atual já que "Matiana Mala" era o nome de uma determinada qualidade de maçãs, assim apelidada por serem de um "certo Mácio".

Do património arquitectónico da freguesia, destacam-se a Igreja de São Pedro de Maceda - é a Matriz - a Capela de São Geraldo e o Cruzeiro. Outros locais de interesse na freguesia são a praia de São Pedro de Maceda, os moinhos e a mata florestal.

Cortegaça...

Lê-se, em várias pesquisas digitais que, de acordo com o historiador Armando Cortesão (1891-1977), a toponímia "Cortegaça" deriva do latim tardio "Cortegacia", de "corticatia", relacionado com "cortex" (cortiça).

Já para o historiador Armando de Almeida Fernandes (1917-2002), a toponímia deriva de "cohorte" > "coorte" > "corte", no sentido de curral, redil, arribana, lugar onde se guardava o gado lanígero ou caprino. Juntando "corte" com os sufixos "ega" +"aça", teria se formado a palavra "Cortegaça".

Os registos históricos sobre as origens da povoação de Cortegaça, remontam aos séculos IX e X, sempre ligados ao povoamento das terras de Santa Maria, território que hoje se funde com o concelho de Santa Maria da Feira.

O mais antigo documento sobre a citada “villa de Cortegaza” data do ano de 773 (corrigido depois para 973), aquando de uma doação de bens à igreja de São João Batista.

Cortegaça, é hoje destino de eleição para prática de surf e bodyboard, procurado por praticantes de todo o mundo que têm em alguns alojamentos locais e no parque de campismo local de dormida.

Cortegaça, é talvez a mais verde das freguesias de Ovar. Com uma vasta zona verde, tem, no parque do Buçaquinho, o seu ex libris... zona de lazer, espaço pedagógico e ponto de partida para a descoberta desta freguesia!

Esmoriz...

Esmoriz é freguesia do concelho de Ovar.

Tem o estatuto de cidade desde 1993.

As origens da cidade remontam ao período da ocupação romana, quando se denominava "Ermeriz" ou "Hermeriz".

Já sob o reinado de Dinis I, de Portugal (1279-1325), a freguesia e a chamada Barrinha de Esmoriz se encontram referidas nas Inquirições de 1288: "(...) e disseram, pelo juramento que fizeram, que, em um lugar que é dele da freguesia de Esmoriz e dele da freguesia de Cortegaça, contra o mar, há uma lagoa que era devesso e a que vinham os homens d'el-rei e os outros da terra colher o carocil (...)"

Esmoriz, apesar de ser terra de cultura bem enraizada, foi terra que andou de mão em mão.... em 1514, pertencia ao concelho de Ovar, em 1916 passou para Espinho e, só mais tarde, voltou a integrar o território do concelho de Ovar.

A 29 de março de 1955 ascendeu ao estatuto de vila e, mais tarde, a 2 de julho de 1993 ascendeu ao de cidade.

Esmoriz, terra banhada pelo mar, desde sempre, viu o seu crescimento baseado em três atividades principais.... a arte Xávega, a tanoaria e a cordoaria.

Hoje, acrescentam-se a indústria de móveis e a confeção.

Esmoriz, embora não sendo uma terra muito rica em termos arquitetónicos, possui a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Assunção, a Capela de Nossa Senhora da Penha de França, e a Capela da Praia como locais de interesse a visitar.

Esmoriz, convida... visite-nos!

Válega...

Válega é uma das 5 freguesias do concelho de Ovar, que foi elevada à categoria de vila a 9 de Julho de 1985.

Situada a sul da sede do concelho, é a segunda maior freguesia de Ovar.

“Não é fácil saber a verdadeira origem do nome da vila de Válega por existirem várias versões.

O historiador valeguense, Monsenhor Miguel de Oliveira, na obra “Memória Histórica e Descritiva de Válega” refere que o nome da vila aparece documentado desde o ano de 1102, referente à venda de umas salinas em Cabedelo, junto à Ria de Aveiro. Salienta também não ser fácil saber, com exatidão, a origem do nome Válega pois poderá vir do nome Valego ou Valegado, que significa - união, unido, ligado - já que existiram duas vilas: Pereira e Degarei.

Uma outra hipótese, não descartada pelo autor, é a de Valeja ter a ver com vale. Há ainda uma opinião, esta mais erudita, que assevera que Válega está relacionada com “Vectica”, uma cidade elevada pelo imperador Constantino à categoria de episcopal.” (Fonte: Junta de Freguesia de Válega)

O que visitar?

Sem dúvida que não se pode ir a Válega sem visitar a sua igreja principal. Obra de uma beleza incomparável dá cor a toda a freguesia e torna-se, facilmente, o mote para uma visita.

Válega tem ainda treze capelas, disseminadas por toda a freguesia, oráculos das gentes dos lugares, para além de várias “capelas” designadas por “Alminhas” que simbolizam intenções particulares por acontecimentos de cariz religioso.

Tem uma gastronomia muito própria, salientando-se os famosos rojões à lavrador, as caldeiradas de enguias e as papas de sarrabulho...

Visite-a!

Olhar a igreja de Válega...

Inúmeros documentos existem sobre a igreja de Válega… Não queríamos fazer apenas mais um…

Optamos por fazer aquilo que melhor sabemos…

Transportar, quem nos lê, numa visita guiada que inicia no exterior e vai até ao topo do monumento… queremos levar o leitor num passeio ao centro da obra prima! Hoje… chegamos até lá… amanhã, senti-la-emos...

Válega… pequena freguesia do concelho de Ovar… Para lá chegar… um pequeno desvio para quem segue a A1…

Sente-se ainda o cheiro do mar… mais ao longe… o cheiro das gentes que antes cultivavam a terra e que tinham na fé a sua força…

Um pouco de história…

A igreja de Válega, também conhecida como igreja do Amparo, é surpreendentemente grande para uma localidade que parece ser tão pacata. Claramente de inspiração barroca, a sua construção teve início em meados do séc. XVIII e prolongou-se até ao séc. XIX. O azulejo… a sua maior riqueza…

O que a torna única?

Uma recente fachada, maravilhosamente colorida, uma fachada que transforma a luz solar a cada momento do dia… Uma fachada onde o olhar se perde em cada pormenor,em cada ângulo em que a olhamos… A beleza da cor contrasta com o azul e branco das laterais e com o granito cinza que serve de moldura a todos os quadros de azulejos. São de Aveiro, da fábrica Aleluia, os azulejos... as preciosidades que podemos admirar!

O interior é igualmente impressionante, com a abóboda forrada de caixotões em madeira exótica e as paredes revestidas com faixas de mármore, também elas decoradas com azulejos pintados com representações de figuras e cenas emolduradas por elaboradíssimas cercaduras. A pia batismal é a peça mais antiga que ali se encontra, datada do séc. XVI, feita em pedra da região de Ançã, uma pedra calcária muito macia e largamente usada em Portugal.

Chegar até à igreja de Válega, à igreja do Amparo, é entrar numa viagem sensorial que nos desperta todos os sentidos, elevando-nos até a uma dimensão ancestral diferente de credos ou religiões. Mergulhamos num mundo que se mostra diferente, que cheira a madeira lustrada, que emana calma e tranquilidade pelo silêncio que se ouve…+

Virados para Válega… à saída… facilmente constatamos que a ao contrário das demais, a igreja não está virada para a localidade mas sim parece servir de cenário ao cemitério da terra, tornado menos dolorosa a saudade dos que lá moram…

Joana Mimoso Magalhães

Porque juntos somos mais que a soma das partes!

Ovar... suas gentes...

Quando pensamos em caraterizar Ovar vem-nos à ideia a dureza da vida duma gente que ao mar ia buscar ia buscar o seu sustento, enfrentando as suas próprias tempestades, a que muitos designam de "medo" e outros tantos de "coragem".

Poderíamos também pensar de igual forma que, outros tantos, amanhavam a terra para dela fazer brotar alguns frutos, com que haveriam de tirar a fome aos filhos se o tempo ajudasse e as pragas não aparecessem, tudo com a graça do divino.

Como tudo muda, muitos deixariam a imensidão do mar e a rudeza da terra, para integrar as linhas de montagens de uma indústria emergente, ou de um comércio que haveria de florescer à sombra de um castelo de cartas mas, que não assustava da mesma forma, e que parecia oferecer uma constância rotineira, se as circunstâncias do mercado não mudassem - o que nunca acontece, mas tudo é eterno enquanto dura.

Mais uns tantos tiveram a possibilidade de “beber da taça” do conhecimento, ou tinham um jeito natural ou, ainda e se quisermos, competência, e colocariam no mapa das letras, da ciência, das artes ou de outra matéria qualquer que queiramos classificar - pois tudo o que está em gavetas está mais arrumado, esta terra de oportunidades.

Esta caraterização tem um quê de idiossincrático, que se traduz em comportamentos e atitudes que se disseminam, que estruturam uma sociedade e que lhes coloca alguns desafios ainda mais duros que as ondas de um mar revolto em dias de tempestade, ou ainda mais impenetrável que a terra seca, depois de um verão tórrido, em que a chuva teima em não abençoar.

Gente “vareira” que resiste e que se encanta, da mesma forma que quando se desencanta, resiste também, mais resistente ainda.

Fátima Bento

Fotografia: João Elvas

Pão de Ló de Ovar

O Pão de Ló de Ovar é um doce de origem conventual.

Constitui uma das principais referências gastronómicas do nosso país e a sua produção remonta já ao século XVIII.

Especula-se que a sua origem de deva à “inconfidência” cometida por uma freira que terá revelado o segredo a algum familiar ou amigo residente em Ovar.

Antigamente, o pão-de-ló existia apenas à mesa dos abades mais abastados e era muito indicado em dietas de convalescença – funcionando quase como um “miminho” especial para adoçar a boca de quem mais precisava. Pela riqueza de sabor, era também oferecido a famílias de luto, como forma de consolo.

É um produto de pastelaria à base de ovos, sobretudo gemas, açúcar e farinha. Apresenta-se dentro de uma forma revestida com papel branco, com o formato de uma “broa” de massa leve, cremosa, fofa e de cor amarela designada por “ló” com uma fina côdea acastanhada dourada levemente húmida, e o interior de textura húmida designado como “pito”.

O fabrico, até ao final do século XIX, era artesanal: a massa era batida à mão durante duas horas, em alguidares de barro vermelho, com uma pá de madeira e, cozido em formas, também de barro, forradas com papel de linho branco, em fornos de lenha aquecidos com pinhas ou ramos secos.

O Pão de Ló de Ovar passou a ter Denominação de Origem Protegida. O anúncio saiu com o Regulamento de Execução 2016/1407 da Comissão Europeia de 12 de Agosto de 2016. É registada a denominação “Pão de Ló de Ovar” (IGP – Indicação Geográfica Protegida), lê-se no documento.

É o 17.º produto português a receber a designação e é confecionado apenas e só no concelho de Ovar, numa das suas 5 freguesias.

Juntos vamos conhecer Ovar…

Porque juntos, somos mais que a soma das partes 

Ovar - Concelho

Um pouco de história...

Os registos históricos sobre a população residente no concelho de Ovar remontam ao século XI. Por esta altura, Ovar era terra habitada por lavradores, pescadores, comerciantes de sal e artesãos.

Ovar foi, assim, crescendo e ganhando importância, tendo recebido foral, concedido por D. Manuel I, em 10 de Fevereiro de 1514.

Foi a partir do século XVIII, em grande parte devido à introdução de novas técnicas de pesca - a Arte Xávega - e de salga e conservação do pescado que se deu o grande crescimento demográfico.

Povo de luta e de grande espírito de resiliência, cedo se percebeu que os habitantes do concelho, iriam passar por muitas dificuldades. Muitos tiveram necessidade de emigrar, outros de mudar de atividade…

No século XX, com a industrialização, que acelerara sobretudo a partir das décadas de 50 e 60, Ovar transforma-se num concelho totalmente diferente, onde mais de metade da população ativa se emprega no setor secundário, subvertendo profundamente o secular quadro rural e piscatório.

Nos dias de hoje, o concelho de Ovar é fortemente industrializado, com um leque muito variado de atividades que vão do têxtil e vestuário à produção de produtos metálicos, da tanoraria à produção de rações e cordoaria, do material elétrico à montagem de automóveis ou ao fabrico de componentes.

Ao nível administrativo, o concelho está dividido em cinco freguesias: Cortegaça, Esmoriz, Maceda, União das Freguesias de Ovar, São João, Arada e São Vicente de Pereira Jusã e Válega.

Situando-se no extremo norte da região, Ovar localiza-se numa planície, ocupando uma área aproximada de 53 km².

Vamos, juntos, descobrir mais…

Porque… juntos, somos mais que a soma das partes…

Redes Sociais

All Ovar 2019